📺 Antes do controle, veio a TV
Se você cresceu nos anos 80 ou 90, talvez tenha conhecido o Super Mario antes mesmo de segurar um controle de videogame. No Brasil, muita gente teve seu primeiro contato com o encanador italiano através do desenho animado exibido na TV aberta, com aquele visual cartunesco, piadas exageradas e abertura musical grudenta.
Foi essa animação que popularizou de vez o personagem por aqui, numa época em que os jogos da Nintendo ainda estavam chegando timidamente, importados ou pirateados, e o nome Mario Bros. soava mais como uma curiosidade do que um símbolo da cultura pop.
📚 E então... descobri os quadrinhos do Mario
Recentemente, enquanto buscava ideias para novos conteúdos no meu canal, me deparei com uma sugestão no YouTube Studio: "A arte dos quadrinhos de Super Mario Bros." Aquilo acendeu uma lâmpada na minha cabeça: “Como assim, quadrinhos?”
Fui atrás. E não é que existem mesmo? Não só existem, como foram publicados nos EUA pela Valiant Comics, dentro da coleção Nintendo Comics System, e chegaram a circular em bancas brasileiras também, ainda que de forma bem mais restrita.
Baixei as 4 primeiras edições digitais e comecei a leitura. Me surpreendi com a forma como os roteiristas e artistas expandiram aquele mundo que, até então, era conhecido só por pulos, canos e tartarugas. Nos quadrinhos, há trama, diálogos engraçados, cenas de ação, piadas visuais e uma versão ainda mais caricata dos personagens que conhecemos dos jogos e da TV.

🎨 Estilo visual: entre o cartum e o delírio
O primeiro impacto vem com a arte. A HQ de Mario não busca realismo ou detalhamento, e isso faz todo o sentido. Os traços são soltos, expressivos, bem humorados, quase como se estivéssemos lendo uma tira de jornal expandida. A colorização é viva e chapada, com contraste forte, remetendo ao visual dos games de 8 bits, mas com liberdade total para brincar com paletas e ambientes malucos.
As expressões dos personagens são exageradas ao extremo, com bocas escancaradas, olhos esbugalhados e muito gestual. Mario e Luigi têm trejeitos cartunescos que lembram personagens do Looney Tunes, e Bowser (ou King Koopa) é retratado como um vilão bufão, ora perigoso, ora patético, com direito a falas engraçadas e um bando de capangas atrapalhados.
📖 Roteiro e narrativa: piadas, absurdos e ritmo leve
Nas edições que li, as histórias têm tom episódico, mas são bem estruturadas. O foco não é adaptar os jogos, mas criar aventuras originais dentro daquele universo. Os roteiros abusam do nonsense: há episódios com Mario enfrentando máquinas malucas, Koopa tentando dominar o mundo com planos ridículos, e Peach (aqui chamada “Princesa Toadstool”) participando ativamente das ações, não apenas como donzela indefesa.
O ritmo é leve e direto: páginas com ação rápida, piadas visuais e gags que lembram muito o humor das animações dos anos 80. É uma leitura que diverte, mesmo para quem nunca jogou Mario. E para os fãs da franquia, há várias referências visuais aos jogos, como blocos “?” flutuantes, Goombas atrapalhados e power-ups clássicos.

👀 Curiosidades e comparações com os games
- O universo expandido: os quadrinhos se permitem criar situações que nunca apareceriam nos jogos, como uma cidade dominada por Koopas ou Mario pilotando veículos futuristas.
- Liberdade de tom: diferentemente da lógica dos jogos, que seguem uma progressão de fases e chefes, aqui os roteiros brincam com absurdos e subversões, Mario pode ser enganado, Koopa pode ser ridículo, e até os Toads têm personalidades distintas.
- Influência do desenho animado: é visível a influência da série animada no estilo da HQ, tanto visual quanto no tipo de humor. Em alguns momentos, parece que estamos vendo um episódio em forma de papel. Me lembrei dos meus primeiros gibis do Chico Bento. Pra mim, ler e reler esses velhos gibis era como assistir a um desenho animado.
🌍 Uma peça esquecida da história de Mario
O que mais me impressionou ao mergulhar nesses quadrinhos foi perceber como eles fazem parte da construção do mito Mario, mesmo que pouca gente fale sobre isso. Eles ajudaram a moldar a imagem do personagem em outras mídias, criaram expectativas para o público fora do Japão e abriram espaço para adaptações futuras, como os filmes, os RPGs e até o recente longa animado da Illumination.
E, ao mesmo tempo, os quadrinhos têm um charme próprio. Não tentam copiar os jogos nem modernizar os personagens. Eles têm alma de HQ retrô, com aquela cara de leitura de banca de jornal de fim de semana, e isso, pra mim, é um baita elogio.
💭 Conclusão: uma descoberta divertida
Descobrir que Super Mario teve gibis foi como encontrar uma passagem secreta em um jogo antigo. Você não esperava, mas quando entra, se surpreende com o que existe lá dentro.
Essas HQs são uma cápsula do tempo, engraçadas, criativas, exageradas, e merecem ser conhecidas, lidas e lembradas. Se você é fã de quadrinhos, de games ou de cultura pop, vale a pena dar uma chance.
E aí, já conhecia essas histórias? Tem alguma lembrança de ver um desses gibis nas bancas, ou está tão surpreso quanto eu? Comenta aí e compartilha com quem também vai curtir essa viagem nostálgica!