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E. Honda: O gigante gentil do sumô que conquistou o mundo em Street Fighter
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E. Honda: O gigante gentil do sumô que conquistou o mundo em Street Fighter

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Mais que um lutador, um Embaixador Cultural

Quando pensamos em Street Fighter, logo vêm à mente os Shoryukens de Ryu e os Hadoukens de Ken. Mas entre os lendários guerreiros da franquia, um se destaca não apenas por sua força descomunal, mas por ser a personificação de uma tradição milenar: Edmond Honda, ou simplesmente, E. Honda. O Grande Campeão do sumô não é apenas um lutador; ele é um ícone cultural que carrega nos ombros largos a história e o orgulho do esporte nacional do Japão. Neste post, vamos mergulhar na história do personagem, desvendar as inspirações por trás de sua criação e explorar o fascinante mundo do sumô que ele representa tão fielmente nos jogos.

A criação de um Yokozuna digital

E. Honda fez sua estreia no Street Fighter II: The World Warrior, em 1991. A Capcom, na época, queria criar um elenco diversificado, com lutadores de várias partes do globo, cada um representando um estilo de luta único. A missão de criar o lutador japonês que não fosse apenas mais um artista marcial recaiu sobre os ombros dos visionários designers da equipe, incluindo Akira "Akiman" Yasuda, responsável pelo character design.

A inspiração foi direta: o sumô. Os desenvolvedores queriam um personagem que fosse puro poder e tradição. Eles não queriam um herói típico, mas sim um homem confiante, orgulhoso de sua cultura e de seu físico. O nome "Edmond Honda" foi uma ocidentalização para torná-lo mais acessível, mas seu nome japonês, Honda Eiji, mantém a estrutura tradicional (sobrenome primeiro).

Curiosidade Pixel: Diz a lenda que a ideia inicial para o golpe Hundred Hand Slap (o famoso "Tapa dos Cem Braços") veio de uma cena do filme "The Adventures of Buckaroo Banzai Across the 8th Dimension", onde um personagem executa um movimento similar com as mãos. A Capcom transformou isso em uma técnica icônica, que até hoje é a assinatura do personagem.

e honda fase

Sumô: a luta sagrada do Japão

Para entender E. Honda, é essencial entender o sumô. Muito mais que um simples esporte, o sumô é uma arte marcial ritualística com mais de 1.500 anos de história, profundamente ligada à religião xintoísta. Cada luta (ou basho) é cercada de rituais de purificação, como o lançar de sal no dohyo (o ringue), que simboliza a limpeza do ambiente de espíritos malignos.

A hierarquia no sumô é rígida. No topo está o Yokozuna, o Grande Campeão, um título que vai além de vencer torneios; é um status de quase divindade, carregando a responsabilidade de ser um modelo de dignidade e tradição. E. Honda é retratado exatamente como um Yokozuna, um título que ele defende com unhas e dentes (e tapas!).

E. Honda vs. a vida real do sumô: os paralelos

  1. O Corpo como arma: No sumô, o tamanho e o peso são fundamentais para a estabilidade. E. Honda, com sua figura maciça, quebrava o estereótipo dos heróis de videogame musculosos e definidos. Seu físico é uma representação fiel e respeitosa de um rikishi (lutador de sumô). Sua força não é apenas para derrotar oponentes, mas para demonstrar o poder estático e a imponência do sumô.
  2. Golpes com Significado: Seus movimentos no jogo são uma homenagem direta às técnicas reais:
    • Hundred Hand Slap (Nicho Goshu Zuki): Embora estilizado, representa a rapidez e a potência de um ataque frontal no sumô, o Oshi (empurrões).
    • Sumo Smash / Oicho Throw (Super Zutsuki): O pulo mortal para esmagar o oponente é puro videogame, mas o Oicho Gari, seu golpe de agarramento, é uma técnica de sumô legítima, um tipo de Kimedashi onde se joga o oponente para fora do ringue com uma chave de braço.
    • Sumo Headbutt (Jigoku Guchi): Mostra a natureza de confronto direto do sumô, onde a cabeça é usada como um ponto de impacto.
  3. O Orgulho Nacional: A stage de E. Honda no SFII é inesquecível: um banho público tradicional japonês (onsen), com outros lutadores de sumô ao fundo e o Monte Fuji na janela. Esse cenário não era apenas exótico; era uma declaração. Honda luta para provar a supremacia do sumô e, por extensão, a força da cultura japonesa perante o mundo. Sua motivação é o orgulho, não a vingança ou a ambição desmedida.

e honda carismatico

O carisma do grande campeão

O que torna E. Honda tão carismático é sua personalidade jovial e confiante. Diferente de um Ryu, sério e focado, Honda é frequentemente mostrado rindo, com um apetite voraz (outra característica típica dos rikishi) e um coração leal. Ele é um amigo dedicado, especialmente de Ryu, a quem respeita profundamente. Essa combinação de poder brutamonte com uma personalagem calorosa e até brincalhona é a chave do seu sucesso. Ele é o gigante gentil do universo Street Fighter.

Um ícone da representação

E. Honda foi, para muitos jogadores ocidentais, o primeiro contato com a cultura do sumô. Ele apresentou esse mundo complexo e fascinante de uma forma acessível e emocionante. Apesar de às vezes ser subutilizado no meta-jogo competitivo, sua importância cultural é inquestionável. Ele permanece como um dos pilares do elenco clássico, um lembrete de que a força pode vir da tradição, do orgulho e de um espírito indomável.

Muito mais que videogame

E. Honda transcende o papel de simples personagem de videogame. Ele é uma celebração do sumô, uma janela para o Japão e um exemplo de como os jogos podem ser veículos poderosos para a cultura. Da mesma forma que um Yokozuna entra no dohyo com dignidade, E. Honda entra nos arcades e consoles carregando o peso de uma tradição milenar, sempre pronto para provar, com um sorriso no rosto e um tapa veloz, que o sumô é uma das artes marciais mais poderosas do mundo.

E você, fã do HQ Pixel? Qual é a sua lembrança mais marcante do E. Honda? Comenta aqui qual personagem cultural você gostaria que a gente explorasse no blog. Vou gostar muito de ler seu comentário.

Comentários (1)
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Esse cara aí dava um tapa no pé do ouvido dos outros que chega doía na orelha do cara que tava no controle dele kkkkk.
Gabrielzin
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